Brincadeiras Ativas: Revitalizando a Saúde dos Adolescentes

O antes e o agora das brincadeiras dos adolescentes.

Os tempos são outros agora, e engajar crianças em atividades físicas tornou-se um desafio para os pais das gerações anteriores. Brincávamos na rua, nosso meio de transporte era a bicicleta, os desafios eram físicos e as pontuações eram anotadas em um pedaço de papel, isso se não fossem anotadas no chão e/ou asfalto para marcar os placares.

Objetivos das atividades propostas.

Qualquer proposta de atividade física deve ter um propósito, e estes são os objetivos para nós adultos proporcionar momentos de ‘desconexão’ da vida digital. São objetivos de cunho ergonômico e físico para melhorar a qualidade de vida dos adolescentes dentro de casa:

  • Postura saudável e menos dores: combater má postura no setup (punhos, nuca, coluna).
  • Fortalecer músculos posturais: ativar costas, abdômen e ombros para mais resistência.
  • Melhorar circulação: manter mente e corpo ativos durante longas sessões.
  • Criar rotinas fáceis: 5 min a cada 60–90 minutos de jogo.

Com base nos objetivos acima descritos, iniciamos assim um planejamento de atividades que contemplem os quatro principais objetivos: Postura, Fortalecimento, Condicionamento e Comportamento. De acordo com estes pilares, trabalharemos os pilares das propostas de atividades, e se trouxermos para a realidade das rotinas dentro de casa, podemos inseri-los como uma ‘gameficação’, ou seja, a cada tarefa de cada pilar, as crianças ganharão pontos (que podem ser convertidos em temáticas como em jogos online estilo Brawl Stars, por exemplo).

No Brawl Star os pontos são divididos como Pontos de Poder, Pontos Estelares, Maestria e Pontos de XP do BS Pass, ou seja, com o apelo capital de costume dos jogos online. Para essa sessão de engajamento, trazendo para a realidade de dentro de casa das tarefas a serem cumpridas, serão feitas analogias aos pontos dos atuais jogos.

Estrutura das mini-sessões das atividades.

É sabido que não se pode hoje propor atividades longas, principalmente para crianças. Vivemos em um mundo onde a informação ”voa”, como os curtos vídeos das redes sociais que tomaram conta do feed (stories, shorts, etc), então as atividades devem ser planejadas como breaks da atual atividade performada, ou seja, é um atividade camuflada dentro da atividade que está sendo praticada. Por exemplo:

  • Se seus filhos estão jogando sessões online, independente das plataformas (pc, console ou celular), estabelecer um período de sessão e adicionar um minibreak na sessão (se foi disponibilizado duas horas livre para jogos, ‘quebrar’ essa sessão em dois períodos de uma hora e acrescentar uma atividade a ser feita por cinco minutos antes de iniciar o ‘segundo tempo’ das duas horas. Digamos que pode-se dizer que é o intervalo de um jogo de futebol, onde as crianças precisam se hidratar, esticar as pernas, andar um pouco para ativar a circulação sanguínea após longa pausa.
  • Dentro deste minibreak, escolhe-se um dos pilares acima mencionados. Para estes minibreaks especificamente, por ser um break de uma atividade de pouca ou nenhuma atividade física e de locomoção, sugere-se que sejam feitas atividades de Fortalecimento e/ou Condicionamento. Atividades de Postura e/ou Comportamento podem ser destinados à outro momento do dia.
  • Sendo executada tal tarefa, ganha-se pontos no board de ‘gameficação’.

Recomendações gerais para utilização do Setup.

Antes de listar as recomendações para a utilização do Setup, vem uma pergunta primeiro: Você sabe o que é um Setup?

Setup gamer: Refere-se ao conjunto de equipamentos e acessórios (como computador, periféricos, cadeira, etc.) que um jogador utiliza para otimizar a experiência de jogo, incluindo conforto e desempenho.

Recomendações ergonômicas e de atividades:

ItemDetalhes
FrequênciaAté 2 ciclos (pilares) por intervalo de 60–90 min de uso do setup. O tempo desprendido para a utilização do setup é determinante para o engajamento da criança em atividades extras. Se muito tempo desprendido de forma contínua em jogos online e pouco tempo de atividades extra, isso acarretará o desinteresse da criança de explorar novos jogos e brincadeiras, e quando proposto, será uma obrigação tão ruim quanto àquelas que os adolescentes tanto resistem, como os cuidados com a higiene, por exemplo.

Dicas:

1. Hidrate-se regularmente — água sempre ao alcance!


2. Roupas confortáveis para os exercícios realizados em frente ao Setup.
AmbienteCom cadeira firme, estrutura estável e espaço livre ao redor. O cuidado ergonômico com o setup em relação à cadeira gamer, o apoio dos pés enquanto sentado, assim como a apoio de coluna lombar no assento é de suma importância para evitar dores e lesões. Ficar horas sentado pode sim machucar, então ter um estudo ergonômico do ambiente gamer é sim um ato de cuidado dos responsáveis pelo adolescente.

Dicas:

1. Monitor à altura dos olhos — use livros ou suporte se necessário.


2. Braços apoiados e cotovelos em ângulo reto.

3. Mantenha os pés apoiados no chão ou em um apoio.

4. Sente-se com o bumbum ao fundo da cadeira, postura reta sem curvar os ombros.

Envolvimento dos pais e responsáveis.

Por que apoiar?

  • Reduz dores musculares, melhora rendimento escolar e concentração.
  • Forma hábitos de cuidado com o corpo desde cedo.
  • Demonstra interesse nas atividades do adolescente, fortalecendo os laços.

Como participar?

  • Incentivar pausas — definir alarmes compartilhados.
  • Acompanhar os primeiros ciclos para garantir a forma ideal.
  • Participar juntos — faz bem a todos e rende momentos de descontração.
  • Prestar atenção nos relatos de dor ou desconforto — ajustar intensidade e recorrer a especialistas se necessário.

Metas simples em família:

  • “Fizemos 3 sessões hoje!”
  • “Conseguimos ficar 30 segundos na prancha!”

Modelo de plano semanal.

  • Segunda a sexta: sessões curtas a cada 60–90 min de jogo/escolha.
  • Fim de semana: mesma estrutura, sem pressão de escolaridade.
  • Revisão aos domingos: família conversa sobre pontos fortes e ajustes para a semana seguinte.

Justificativa: Estabelecer uma rotina diversificada durante a semana, com uma rotina de horários pré-estabelecida, porém, com diferentes propostas. Organizar dias separados de um jogo online ao invés de ficar horas em um único dia (por exemplo, ao invés de deixar jogar duas horas de Minecraft na segunda-feira, separar uma hora na segunda-feira e uma hora na quarta-feira. Na terça, outra atividade de cunho físico será proposta no mesmo horário dos jogos online de segunda e quarta. Desta forma, a criança sabe que na rotina do dia aquele horário é destinado para uma atividade de brincadeira, porém não sobrecarregando apenas em uma atividade apenas.

Nas terças e quintas haverá sim jogos online, mas encaixar outros jogos, que possam aumentar o leque de opções e não cair na zona de conforto. Jogos que envolvam console podem colaborar com o fator psicomotor Praxia Fina, que aumenta a sensibilidade dos movimentos finos. Assim, ao invés de apenas utilizar as telas dos celulares como controle, proporcionar outras plataformas como consoles (Xbox, PlayStation, etc – ou até mesmo videogames ‘vintage’ como emuladores de Super Nintendo e similares). Isso acarretará uma gama de jogos eletrônicos que estimulem outras valências que o as telas do celular não proporcionam.

Logicamente, encaixar jogos e brincadeiras como tabuleiros e tudo o que for possível desenvolver em espaços abertos como o quintal de casa nos dias propícios à isso.

Conclusão

A ideia é oferecer pausas simples mas eficazes para adolescentes gamers, sem sair do setup, promovendo mais saúde, bem-estar e concentração. Com o apoio familiar, os adolescentes se sentem motivados e custam menos resistir às pausas, transformando o cuidado com o corpo em um hábito duradouro.


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