Hoje tive um dos retornos ao médico que operou a minha Catarata, decorrente de cirurgia de Glaucoma, como comentei anteriormente no post Saúde dos Olhos. Meu histórico é longo de acompanhamento da saúde dos meus olhos, mas o médico que me operou da Catarata é recente, até porque, eu faço acompanhamento de Glaucoma, e ele é do setor de Catarata.
Ele esteve me explicando sobre o estado do meu olho, por ser mais sensível por ter a Trec (cirurgia de Glaucoma chamada Trabeculectomia), e depois de várias explicações, veio a conhecida pergunta para mim: ”Como você lesionou seu olho direito?” Expliquei que foi um acidente de trabalho em que eu ”levei” uma ”bolada na cara” enquanto jogava queimada com as crianças (adolescentes). Esperava que ele ficasse surpreso (os médicos ficavam um pouco surpresos na época), mas houve uma atualização nas visitas ao Oftalmologista por trauma de ”bolada na cara”: o Beach Tennis.
As lesões vão de coisas mais leves até mais graves, como descolamento de retina, por exemplo, ele me explicou. Mas para isso, ao invés de escrever um único tópico sobre lesões, tive que juntar três textos em um para mostrar a ascensão do Beach Tennis nas metrópoles, dos porquês que o esporte se popularizou rapidamente nas grandes capitais, saindo das cidades litorâneas e, ainda, da necessidade emergente do esportista sazonal de se encaixar em novas modalidades instagramáveis para se sentir parte de um grupo.
A ascensão do beach tênis nas cidades metropolitanas do Brasil: Um esporte que conquistou o asfalto.
O beach tênis, outrora restrito às faixas de areia litorâneas, ganhou novos cenários e hoje floresce em meio ao concreto das grandes cidades brasileiras. Quadras de areia iluminadas surgem como verdadeiros oásis urbanos em metrópoles como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. O que antes era apenas uma prática sazonal de férias à beira-mar, transformou-se em um fenômeno esportivo e social, presente em clubes, academias e até estacionamentos adaptados.
Razões imobiliárias envolvidas.
É importante frisar que as quadras de Beach Tennis aconteceram por causa de um ”boom” imobiliário nas metrópoles. Um amigo meu que era residente do bairro Brooklin, em São Paulo, recebeu uma oferta de compra de seu imóvel (sobrado) para ser demolido e ter o terreno em conjunto com cerca de três ou quatro casas para se tornar um condomínio vertical, ou seja, não há mais espaço na cidade para expandir para os lados, então a solução é expandir para cima.
Com isso, a compra dos terrenos são assíncronos, fazendo com que uma casa seja adquirida em períodos diferentes. Demolidas, elas se tornam terrenos planos inutilizáveis, porém, alguém teve a brilhante ideia de fazer quadras de areia para aluguel de espaço para Beach Tennis, uma vez que o futebol Society caiu em desuso com a sociedade de renda média-alta das cidades. O futebol despopularizou, e os esportistas de verão adotaram o beach tênis como nova atividade física/social.

Por que tanto sucesso?
A resposta se esconde em um tripé irresistível: acessibilidade, sociabilidade e estilo de vida.
- Acessibilidade: o beach tênis é democrático — pode ser jogado por diferentes idades, níveis técnicos e perfis físicos. A curva de aprendizado é rápida e o prazer do jogo chega logo nas primeiras partidas.
- Sociabilidade: a dinâmica em duplas ou quartetos favorece encontros, amizades e conexões. Não à toa, os torneios amadores se multiplicam, atraindo tanto competidores quanto espectadores.
- Estilo de vida: ao unir saúde, lazer e bem-estar, o esporte dialoga com o desejo contemporâneo de fugir do estresse urbano sem sair da cidade. Jogar na areia, sob o sol ou a luz dos refletores, remete a uma sensação de veraneio constante.
O impacto nas metrópoles.
As cidades, cada vez mais densas e aceleradas, encontraram no beach tênis um antídoto contra a rotina. Empresários do setor fitness perceberam rapidamente o potencial e investiram em espaços dedicados, muitas vezes anexados a bares, restaurantes e áreas de convivência. O esporte, portanto, extrapola os limites da quadra e cria uma experiência completa: atividade física, socialização e entretenimento.
Além disso, o beach tênis movimenta a economia urbana. Marcas de roupas, acessórios esportivos, raquetes e até suplementos surfam nessa onda dourada. Não é raro ver influenciadores digitais transformando uma simples partida em conteúdo aspiracional para redes sociais.
O futuro na areia urbana.
Se o futebol já foi a paixão nacional e o vôlei de praia um cartão-postal do Brasil, o beach tênis está se consolidando como o símbolo esportivo das novas gerações urbanas. Sua expansão parece longe de desacelerar: cada quadra construída é rapidamente ocupada, cada torneio atrai mais inscrições, e cada partida prova que não é preciso estar à beira-mar para viver a energia da areia.
No fim, o beach tênis representa mais do que um esporte: é um estilo de vida, uma metáfora de resistência lúdica ao cinza das metrópoles, um sopro de brisa marítima em meio ao concreto.
Os riscos de jogar beach tênis: Principais lesões e os perigos para a saúde ocular.
O beach tênis vem conquistando as areias das cidades brasileiras com uma velocidade impressionante. A mistura de esporte, lazer e socialização transformou a modalidade em um fenômeno urbano e litorâneo. Porém, junto com a diversão, surgem riscos que muitos praticantes ainda desconhecem — especialmente as lesões musculoesqueléticas e, em destaque, os acidentes oculares.
Lesões mais comuns no beach tênis.
O esporte é praticado em areia fofa, que exige força extra, equilíbrio e explosão muscular. Isso aumenta a sobrecarga sobre articulações e tecidos. Entre as principais lesões, destacam-se:
- Entorses de tornozelo: a instabilidade do solo arenoso favorece torções, que podem variar de leves até rupturas ligamentares.
- Lesões musculares: estiramentos em isquiotibiais, panturrilhas e quadríceps são frequentes devido a arrancadas e saltos repentinos.
- Lombalgias e dores nas costas: causadas pela inclinação constante do tronco e movimentos bruscos de rotação.
- Lesões no ombro e cotovelo: semelhantes às encontradas no tênis de quadra, resultantes de saques e golpes repetitivos acima da cabeça.

Lesões oculares: Um risco subestimado.
Apesar de menos comentadas, as lesões oculares estão entre as mais perigosas no beach tênis. A bola, de borracha pressurizada, pode atingir o olho em alta velocidade. Esse impacto é capaz de causar:
- Contusões oculares: dor intensa, vermelhidão e visão borrada imediata.
- Hifema (sangramento interno no olho): condição grave que pode levar à perda parcial da visão.
- Descolamento de retina: um dos riscos mais sérios, exigindo cirurgia imediata.
- Lesões corneanas: provocadas por impacto direto ou até pelo atrito com grãos de areia.
Pesquisas em medicina esportiva apontam que os olhos são uma das regiões mais vulneráveis nesse esporte, já que a atenção do jogador está dividida entre a bola em velocidade e os deslocamentos na areia.
Prevenção: O olhar cuidadoso da segurança.
A boa notícia é que muitas dessas lesões podem ser evitadas com medidas simples:
- Uso de óculos de proteção específicos: eles funcionam como um escudo contra impactos diretos da bola e entrada de areia.
- Aquecimento adequado: reduz o risco de estiramentos e torções.
- Fortalecimento muscular: treino funcional e propriocepção ajudam a estabilizar tornozelos e joelhos.
- Técnica correta: aulas com professores capacitados previnem sobrecargas e movimentos incorretos.
Conclusão
O beach tênis é, sem dúvida, uma das modalidades mais vibrantes e democráticas da atualidade, mas precisa ser praticado com consciência. O cuidado com articulações, músculos e, sobretudo, com os olhos é essencial para que o esporte continue sendo sinônimo de saúde e prazer, e não de dores e complicações.
Na próxima vez que entrar na quadra de areia, lembre-se: óculos de proteção podem não ser o acessório mais estiloso do jogo, mas podem salvar sua visão.









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