Haile Gebrselassie e a Música ‘Scatman’: Quando os Passos Encontram o Ritmo da Música.

O ritmo da corrida.

Haile Gebrselassie não corria apenas: ele flutuava. O etíope, duas vezes campeão olímpico e múltiplo recordista mundial, era famoso por um detalhe curioso — seu estilo de corrida. Um braço ligeiramente curvado acompanhava cada passada, reflexo de anos de treinos carregando livros na escola, percorrendo quilômetros pela savana. Essa singularidade virou marca registrada, lembrando ao mundo que até no mais alto nível, a imperfeição pode ser a semente da grandeza.

O Som da superação.

Do outro lado do planeta, nos anos 1990, Scatman John transformava sua própria vulnerabilidade em poder. Compositor e cantor, ele carregava desde criança a gagueira como uma cicatriz invisível. Mas, em vez de se esconder, ele a transformou em melodia. “Everybody stutters one way or the other…”, cantava, misturando jazz, dance e uma filosofia de vida que gritava em cada nota: a limitação pode ser trampolim para a liberdade.

O encontro improvável.

Em 1995, Gebrselassie conquistou o recorde mundial dos 2000 metros em pista coberta. Para aquela corrida, pediu que tocassem justamente Scatman (Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop) no sistema de som. Não foi coincidência: o etíope via naquela música algo que ia além do ritmo frenético. Via a celebração da imperfeição como força. Assim como Scatman John cantava com as pausas da fala, Gebrselassie corria com o braço que não seguia a cadência “perfeita”.

Passos e notas que inspiram.

O episódio tornou-se um símbolo raro da interseção entre esporte e arte. Um recorde não é apenas números no cronômetro — é também poesia, contexto e cultura. Haile correu embalado por um homem que transformava tropeços em música. E, naquele instante, pista e palco se encontraram.

O legado.

Hoje, quando olhamos para a carreira de Gebrselassie e ouvimos Scatman, percebemos que ambos representam a mesma mensagem:

  • Não existe perfeição absoluta.
  • A diferença é o que nos move.
  • A arte e o esporte são irmãs na superação.

A cada passada de Haile e a cada scat de John, ecoa um lembrete: nossos limites podem ser a batida mais forte da nossa vitória.

Scatman

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