Quando o corpo se move, a mente respira.

Vivemos tempos em que a ansiedade parece sussurrar em cada notificação, em cada compromisso que chega sem pedir licença. O coração dispara, a mente acelera — e o corpo, muitas vezes, fica parado. Mas há um antídoto simples e ancestral: mover-se.

Sair para pedalar, seja na bicicleta silenciosa ou no ronco compassado de uma motocicleta, é mais do que deslocar-se pelo espaço. É reconectar-se ao próprio ritmo interno. É permitir que o vento limpe pensamentos intrusivos, que o olhar se perca no horizonte, que a respiração encontre cadência. O movimento quebra o ciclo da ansiedade porque obriga o corpo a existir no agora — a sentir o asfalto, o peso do capacete, a curva que se aproxima.

A bicicleta como terapia em duas rodas.

Pedalar é quase uma meditação em movimento. O giro constante das pernas regula o batimento cardíaco, libera endorfinas e serotonina — neurotransmissores que acalmam e trazem sensação de bem-estar. A cada pedalada, o corpo encontra um fluxo quase hipnótico: o ar que entra e sai, o coração que acelera e depois estabiliza, os músculos que trabalham em harmonia.

Estudos mostram que atividades aeróbias moderadas, como o ciclismo, reduzem níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e aumentam a clareza mental. O simples ato de sair para pedalar pode ser uma pausa consciente do excesso de pensamentos e das preocupações difusas.

A moto: liberdade e consciência corporal.

Há quem veja a motocicleta apenas como velocidade — mas para quem aprende a pilotar com presença, ela é um exercício profundo de consciência motora e foco. Pilotar exige postura alinhada, controle fino dos membros, equilíbrio dinâmico, coordenação olho-mão-pé. É psicomotricidade aplicada na vida real.

Além disso, pilotar pode ser libertador para quem enfrenta a ansiedade: o corpo sente a vibração do motor, o vento no rosto, o calor do sol ou a brisa da estrada. Tudo convida a sair da mente acelerada e habitar o instante. Não há espaço para ruminar preocupações quando cada curva exige atenção plena e domínio corporal.

Movimento como chave para o equilíbrio emocional.

Seja na bicicleta que convida ao silêncio, seja na moto que desperta sensações intensas, mover-se é um lembrete de que o corpo é um aliado contra a ansiedade. Cada quilômetro rodado é também um quilômetro afastando-se do excesso de pensamentos.

Para quem busca saúde mental, não é apenas exercício físico — é um ritual: capacete, luvas, vento, horizonte. É dizer à ansiedade que ela pode até existir, mas não precisa conduzir o caminho. Quem pilota é você.

Experiência própria.

No meu caso especificamente as duas rodas faz parte da minha vida desde a infância. Lembro-me que quando criança a bicicleta não somente era um brinquedo, mas eu já a encarava como o meu meio de transporte. Na minha cabeça era bastante nítido a relação que eu fazia: ”o carro está para os meus pais assim como a bicicleta está para mim”. É fato que eu pensava isso ainda criança, e a bike era o meu meio de transporte para ir até a casa dos amigos. Não optava por ônibus ou caronas, era a bicicleta como meu transporte, simples assim.

Na época da faculdade já ficou um pouco mais difícil por causa da distância, em uma época ainda que não existia nenhuma ciclovia em SP, portanto, ela ficou encostada. Quando terminei a faculdade em 2008, já de imediato comprei a minha primeira bike da fase adulta, e desde então não viverei sem uma bicicleta.

A moto é a consequência de quem viveu uma vida inteira de bike, facilitando a locomoção urbana sem perder a essência das duas rodas. Então quem visitar meu site e ler os meus textos, sempre encontrarão as relações de comparação de moto com bicicleta.

Em momentos de dificuldades na vida, como perdas e frustrações, a ansiedade foi trabalhada nos momentos das duas rodas. Foram muitas pedaladas nas ciclovias da cidade e muitas estradas nos finais de semana para equilibrar a mente.

Michael Jordan talking about riding motorbikes.


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