Mulheres no esporte: superação real x o anti-jogo masculino.

Quando o apito soa e o jogo começa, algo salta aos olhos: mulheres têm redefinido o conceito de superação dentro e fora das quadras, pistas e gramados. Enquanto muitas enfrentam barreiras sociais, preconceito e até desigualdade salarial gritante, continuam correndo, saltando e jogando com intensidade genuína.
Nos últimos anos, vimos maratonistas completando provas grávidas, surfistas enfrentando ondas gigantes em meio a julgamentos sobre “fragilidade feminina” e jogadoras de futebol disputando finais em estádios que antes lhes eram negados. Esse espírito é de resistência e entrega.

No outro extremo, o universo masculino ainda é palco frequente de um teatro que beira o anti-jogo. Simulações de faltas, contusões inventadas e quedas coreografadas para arrancar vantagem são estratégias antigas — mas que permanecem manchando a experiência esportiva. O objetivo: ganhar a qualquer custo, mesmo que custe a integridade do jogo.

O peso simbólico da superação feminina.

Pesquisas mostram que a mulher atleta precisa superar muito mais do que limites físicos. Estudos sobre esporte e gênero revelam que a prática esportiva feminina frequentemente ocorre em cenários de menor incentivo, patrocínio escasso e preconceito estrutural (Coakley, 2017; Messner, 2002). Ainda assim, elas quebram barreiras, provando que coragem e dedicação não dependem de gênero.

O anti-jogo como construção cultural.

O comportamento de simular lesões ou exagerar faltas nos esportes masculinos — especialmente no futebol — é estudado como parte de uma cultura onde “vencer a qualquer preço” é aceitável. Pesquisas apontam que a teatralidade pode estar ligada à pressão por resultados e ao espetáculo midiático (Dimeo & Hunt, 2011; Roderick, 2006).
Enquanto isso, modalidades femininas ainda preservam mais o espírito de fair play, embora também comecem a sofrer pressões comerciais crescentes.

Superação que inspira.

A cada medalha conquistada, recorde quebrado ou treino solitário ao amanhecer, mulheres inspiram novas gerações. Elas mostram que o esporte pode ser palco de grandeza autêntica — aquela que não precisa de artifícios, mas de resiliência, suor e paixão.

Considerações

Como vinha comentando em sala de aula e escrevi um posto sobre o antijogo dentro da escola, pratica recorrente de meninos jogando futebol, por exemplo, trago o antagonismo do que é visto nos jogos da perspectiva das meninas, que visam única e exclusivamente o esporte e a prática dele, e não a teatralidade e o vitimismo. É o respiro que o esporte dá em meio a imitação de jogadores/atores que ganham milhões e viram ídolos das ‘crianças youtuber’.

As mulheres vieram para revolucionar o que está sendo construído pelos homens, ou seja, o homem constrói o antijogo, e as mulheres constroem o jogo. O esporte não está perdido graças às mulheres (não sendo radical com os homens porque sabemos que não são todos que são assim).

A esperança é de que o ”mimimi” masculino seja algo passageiro, que o público geral se canse desta atitudes vergonhosas e que saia de cena as cenas protagonizadas pelos homens diante de milhões de espectadores.

Referências

  • Coakley, J. (2017). Sports in Society: Issues and Controversies. McGraw-Hill Education.
  • Messner, M. A. (2002). Taking the Field: Women, Men, and Sports. University of Minnesota Press.
  • Dimeo, P., & Hunt, T. (2011). The Doping of Athletes in the Ancient World. Routledge.
  • Roderick, M. (2006). The Work of Professional Football: A Labour of Love? Routledge.
  • FIFA (2022). Women’s Football Survey Report. Fédération Internationale de Football Association.
  • IOC (2021). Gender Equality and Inclusion in Sport Report. International Olympic Committee.

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