Fui motivado à escrever sobre o Halloween e como eu vejo o evento dentro das escolas. Há muita gente que não gosta do evento, seja por crença religiosa ou por ser um evento ”americanizado”, e para que possamos discutir sobre os conceitos do Halloween no Brasil, precisamos primeiro saber da história e quais são os impactos positivos para a celebração desta data no calendário escolar brasileiro.
Origens Celtas: Quando o medo e a colheita se encontravam.
O Halloween tem raízes no festival celta de Samhain, celebrado há mais de dois mil anos nas Ilhas Britânicas. Para os celtas, o Samhain marcava o fim do verão e o início do inverno — uma época em que o véu entre o mundo dos vivos e o dos mortos se tornava mais tênue.
Era o momento de honrar os antepassados, acender fogueiras e usar máscaras para espantar espíritos malignos. Acreditava-se que as almas vagavam pela Terra nesta noite, e disfarçar-se era uma forma de se proteger delas.
Com a expansão do cristianismo, o Samhain foi absorvido pela Igreja Católica, que instituiu o Dia de Todos os Santos (All Hallows’ Day) em 1º de novembro. A noite anterior — All Hallows’ Eve — se transformou no que conhecemos hoje como Halloween.
Das superstições às fantasias: A transformação através dos séculos.
Durante a Idade Média, a tradição de pedir alimentos em troca de orações pelos mortos deu origem ao “souling”, uma prática ancestral do famoso trick or treat.
No século XIX, imigrantes irlandeses levaram essas tradições para os Estados Unidos, onde o Halloween ganhou um novo fôlego. Lá, ele se misturou à cultura popular, transformando-se em uma celebração familiar, marcada por festas, desfiles e jogos infantis.
A abóbora iluminada — ou Jack O’Lantern — nasceu de uma lenda irlandesa sobre um homem que enganou o diabo e vagava com uma lanterna feita de nabo. Nos EUA, a abóbora substituiu o nabo e se tornou o símbolo inconfundível da data.
O Halloween e as crianças: Fantasiar-se para descobrir o mundo.
Mais do que sustos, o Halloween é uma festa de expressão, criatividade e ludicidade.
Para as crianças, vestir-se de bruxa, vampiro ou super-herói é uma oportunidade de brincar com o imaginário, explorar emoções como o medo e a coragem, e descobrir diferentes papéis sociais.
Do ponto de vista pedagógico, o Halloween estimula o faz de conta, o trabalho em grupo e o respeito às diferenças culturais. Em contextos escolares, ele pode ser um poderoso instrumento de educação emocional e artística, despertando empatia, curiosidade e senso de comunidade.
Entre doces e sorrisos: A magia que permanece.
Hoje, o Halloween ultrapassa fronteiras. Em países como o Brasil, ele é celebrado com um toque tropical, nas escolas e nas ruas, como uma oportunidade de brincar com o medo de forma segura e criativa.
Mais do que uma festa importada, é um lembrete de que todas as culturas reinventam suas tradições, e que o riso das crianças é sempre o melhor feitiço contra qualquer sombra.
Conclusão: O encanto da ludicidade.
O Halloween é, em essência, uma celebração da imaginação. Ele nos lembra que o medo pode ser lúdico, que a fantasia é uma forma de aprender, e que cada máscara revela, no fundo, um desejo humano ancestral: transformar o desconhecido em arte, brincadeira e vida.









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