Eu tenho uma fascínio por tênis em geral. Quando criança, eu e meus irmãos ganhávamos sempre um tênis novo no natal, para que pudéssemos usar durante o ano subsequente. Eu e meu irmão criamos uma espécie de ‘analistas de tênis’, que seria como identificar os modelos que mais nos agradava e sabíamos dos detalhes de cada lançamento aqui no Brasil. Ele se tornou designer gráfico, portanto, detalhes sobre a indústria de produtos é o dom dele, e eu como um bom virginiano sempre fui muito atento à detalhes no geral.
Estudamos numa escola que um certo tênis tava no pé da galera no final dos anos 80 e início dos anos 90. Lembro-me que eu via os mais velhos usando um tênis cano alto que tinha tipo uma onda desenhada. Só fui saber muitos anos depois que a marca que eu tentava lembrar do tênis era a Vans. Porém, aqui no Brasil a Vans não era importada, então uma empresa brasileira fez a réplica dele, chamada ‘Mad Rats’. Exatamente o tênis, cor, desenho, só a marca que era outra. A cena do skate estava forte no Brasil já, e estávamos imitando os americanos e o seu principal modelo de contracultura, o Vans Old Skool.
O resto é história…

O começo: 1966, Anaheim, California.
Era 16 de março de 1966 quando os irmãos Paul e Jim Van Doren, acompanhados de parceiros visionários, abriram as portas da The Van Doren Rubber Company, em Anaheim. O conceito era simples e ousado: produzir tênis no mesmo dia da compra, direto da fábrica para o cliente.
O primeiro modelo, o lendário Vans #44 — hoje conhecido como Authentic — era robusto, com sola grossa e vulcanizada, perfeita para resistir à vida agitada da juventude californiana.
Era o nascimento de um clássico.
Um passo firme num asfalto que estava pronto para mudar a cultura.
O encontro com o skate: A tribo que abraçou a marca.
Na década de 1970, enquanto o skate se desenrolava pelas piscinas vazias de Los Angeles e pelos calçadões de Venice Beach, algo mágico aconteceu.
Os skatistas descobriram que os Vans tinham:
- Aderência absurda graças à sola waffle
- Durabilidade que aguentava manobras, quedas e recomeços
- Um estilo simples, reto e autêntico, tão rebelde quanto eles
A marca não foi atrás dos skatistas.
Foram os skatistas que foram atrás da marca.
Tony Alva e Stacy Peralta — lendas vivas do skate — fizeram história ao colaborar com a Vans e lançar o Vans #95, futuro Era, com acolchoamento no tornozelo e variedade de cores. A partir daí, a Vans se tornou uniforme não oficial da contracultura.
Dos grupos urbanos à cultura pop.
Enquanto rodinhas deslizaram sobre concreto, outras tribos urbanas também adotaram o Vans:
- Surfistas, embalados pelo espírito livre californiano
- Punkeiros, que viram no tênis preto e branco uma extensão de sua estética minimalista e agressiva
- Artistas de rua, atraídos pelo visual limpo e fácil de personalizar
- Músicos, especialmente no universo do punk, ska e hardcore
- BMX riders, que encontraram resistência e firmeza nos modelos clássicos
Cada grupo deixou sua marca na marca — e a Vans devolveu amplificando vozes, causas e criatividade.
O old skool e a arte de criar ícones.
Em 1977 surge o Vans Old Skool, o primeiro modelo da marca com a icônica “jazz stripe”.
Aquilo não era só um detalhe gráfico: era assinatura, identidade e, com o tempo, tatuagem na cultura sneaker.
Era o tipo de tênis que ficava bem com jeans rasgado, com bermuda de surfista, com moicano e com camisa xadrez de basquete. Um símbolo de liberdade estética.
A ascensão global.
Nos anos 1990 e 2000, a Vans entrou definitivamente no mainstream:
- Lançou o Warped Tour, festival de música que uniu skate, punk e juventude por décadas
- Expandiu sua presença no cinema e na TV
- Tornou-se parte do uniforme cotidiano de jovens ao redor do mundo
- Conquistou celebridades, designers, rappers e influenciadores
- Entrou no streetwear como um clássico atemporal
Hoje, não é apenas um tênis.
É uma declaração. Uma vibe. Um estilo de vida.








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